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Home > Espaço Saúde > Tique ou TOC?

Tique ou TOC?

Morder os lábios, balançar pés e pernas sem parar, lavar as mãos toda hora, ficar rabiscando uma folha de papel, enrolar os cabelos. Que manias são essas?

O que é TOC?

É uma doença psiquiátrica que está classificada dentro dos transtornos de ansiedade, e que se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões. As obsessões são eventos mentais, como pensamentos, imagens, impulsos que são vistos pela pessoa como intrusivos, e são facilmente reconhecidas, mas não controladas. Já as compulsões são comportamentos de respostas às obsessões, são feitos para diminuir as sensações de desconforto causadas por elas.

De acordo com dados da Harvard Medical School, cerca de 4% da população mundial sofre deste transtorno. Embora grande parte dos pacientes sofra anos antes de buscar ajuda especializada, os sintomas podem surgir em qualquer fase da vida.

Os tipos de TOC mais comuns, segundo a Dra. Mara Maranhão, são os de checagem (ver se portas e janelas estão trancadas) e o de limpeza, que é precedido pela obsessão de contaminação, em que a pessoa tem tanto medo de se contaminar e ter alguma doença que não consegue conter o impulso de se lavar.

“Existem pessoas que não conseguem mais sair de casa pelo número de vezes em que ficam checando as coisas”, diz a psiquiatra.

Outro tipo de TOC, e bem menos comum, é o de baixo insight, em que a pessoa faz alguma coisa para aliviar um desconforto, mas não sabe por que exatamente está fazendo aquilo.

“É importante ficar atento, para não confundir, aos sintomas que podem parecer um transtorno obsessivo, mas ainda não o são, por não apresentarem nenhum prejuízo ao indivíduo. É o caso do SOC – Sintoma Obsessivo Compulsivo, em que o indivíduo apresenta, em determinado momento da sua vida, algumas características do TOC, mas sem que isso interfira ao longo de sua vida”, explica a Dra. Mara Maranhão.

O que é Tique?

O tique é um transtorno do movimento de um ou mais grupos musculares e que se caracterizam por movimentos repetitivos, estereotipados (ou seja, não possuem nenhum significado concreto, e podem ser parcialmente suprimidos pela vontade (se o indivíduo se concentrar, ele consegue parar de fazer o movimento por um curto período de tempo).

São movimentos irresistíveis, em que a pessoa não tem controle dos seus impulsos. São conhecidos popularmente como tique nervoso, porque podem ser exacerbados em períodos de mais ansiedade. Iniciam geralmente na adolescência e, algumas vezes, na infância.

Classificação dos tiques

Os tiques podem ser divididos em motores, vocais, simples e complexos.

  • Tiques motores simples: contrações repetitivas e rápidas de grupos musculares de função semelhante - piscar os olhos, contrair o pescoço, encolher os ombros, fazer careta.
  • Tiques motores complexos: se assemelham a rituais e incluem comportamentos de arrumação, cheirar objetos, saltar, ecopraxia (imitação de comportamento observado em outra pessoa), copropraxia (exibição de gestos obscenos), tricotilomania (mania de arrancar e até comer cabelos) e skin picking (mania de arranhar, chegando até a ferir, a pele).
  • Tiques vocais simples: contração repetitiva de músculos do aparelho respiratório/fonador, e os mais comuns são: tossir, pigarrear, grunhir, fungar, espirrar ou latir.
  • Tiques vocais complexos incluem repetir palavras ou frases fora de contexto, coprolalia (uso de palavras ou frases obscenas, uma das características da Síndrome de Tourette), palilalia (repetição das próprias palavras) ou ecolalia (repetição da última palavra dita por outra pessoa).

Diagnóstico

“Ainda há muito a ser estudado”, afirma a Dra. Mara Maranhão. “Mas como em qualquer problema psiquiátrico, a etiologia desses dois tipos de transtornos é multifatorial. O componente genético se faz presente, já que é comum perceber este problema em pessoas de uma mesma família. Outra teoria que também está sendo estudada é a do aparecimento dos sintomas de transtorno após infecções por estreptococos”, explica a médica.

Situações de estresse, fatores neurobioquímicos, alterações hormonais durante a gravidez ou após o parto são outras situações que também podem contribuir para desencadear estes tipos de transtornos.

Problemas sociais: uma verdadeira bola de neve

Todo e qualquer transtorno psiquiátrico pode afastar a pessoa da sociedade, acarretando ainda mais tristezas, que pioram o quadro do paciente.

Segundo a psiquiatra, a pessoa tem consciência de que aquilo que ela faz é estranho para os outros, mas para ela é um ato irresistível. Ela pode se isolar progressivamente do mundo e isso agrava seu sentimento de inadequação, eleva o seu grau de estresse, podendo também agravar os sintomas da sua doença.

“Muitas vezes, ter um tique nervoso adquire para o indivíduo uma conotação ruim, de não ser capaz de controlar suas emoções e sentimentos, desenvolvendo maneiras alternativas de lidar com os problemas, dando origem aos cacoetes ou às obsessões”, explica a médica.

Tratamento

Não podemos falar de cura nestes casos porque são problemas crônicos e muitas vezes recorrentes. Em períodos de mais estresse, os sintomas, mesmo depois de tratados, tendem a voltar.

O prognóstico desses pacientes é variável, sendo que alguns necessitam de tratamento por tempo indefinido, enquanto outros conseguem permanecer estáveis mesmo após a retirada da medicação.

De acordo com a psiquiatra, o tratamento de primeira linha para o Transtorno Obsessivo Compulsivo são os antidepressivos. E para os quadros que não respondem somente com antidepressivos, são, então, associados os neurolépticos (antipisicóticos, ou seja, medicamentos bloqueadores da ação da dopamina no cérebro). Já para os tiques, o tratamento mais eficaz é feito com os neurolépticos.

“A terapia cognitivo comportamental – um modelo de terapia estruturada, com técnicas específicas, e que tem como foco o problema apresentado no momento – também é muito eficaz no tratamento desses transtornos, podendo o sucesso ser maior quando acompanhada do tratamento farmacológico”, finaliza a Dra. Mara Maranhão.

 
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